AKIRA #Dasantigas

 

Akira é um marco na história do anime e mangá, criado por Katsuhiro Otomo. Publicado originalmente entre 1982 e 1990, em seis volumes na revista Young Magazine, o mangá cativou os leitores com sua narrativa ambiciosa e detalhamento visual. Já o filme, lançado em 16 de julho de 1988, foi dirigido pelo próprio Otomo, condensando a vasta história em uma animação de duas horas que redefiniu os padrões da indústria.

História e Contexto

A trama se passa em uma Neo-Tóquio futurista, reconstruída após a destruição causada por uma explosão misteriosa, que desencadeou a Terceira Guerra Mundial. A cidade é uma mistura de tecnologia avançada e decadência urbana, tomada por gangues, corrupção e uma elite política decadente. Os protagonistas, Kaneda e Tetsuo, são membros de uma gangue de motociclistas. Quando Tetsuo se envolve em um experimento militar após um acidente, ele desenvolve poderes psíquicos devastadores que o levam a um colapso físico e mental.

O mangá mergulha mais profundamente no universo distópico, explorando a política e a sociedade da Neo-Tóquio. Ele apresenta mais personagens, como líderes de resistência e cientistas, enquanto o filme foca nas relações entre Kaneda, Tetsuo e o mistério de Akira, um garoto com habilidades psíquicas cujos poderes causaram a explosão inicial.

Produção e Impacto Visual

O filme de Akira foi revolucionário para sua época, com um orçamento de 8 milhões de dólares, o mais alto já destinado a um anime na época. Ele empregou técnicas de animação inovadoras, incluindo a gravação prévia dos diálogos, o que permitiu sincronização labial perfeita. A arte combinava realismo e elementos de ficção científica, capturando a atmosfera cyberpunk e a densidade de Neo-Tóquio. A animação fluida, com 24 quadros por segundo, era incomum para produções animadas e impressionou públicos ao redor do mundo.

A trilha sonora, composta por Shoji Yamashiro, combinava elementos tradicionais japoneses e sons eletrônicos modernos, contribuindo para o tom futurista e enigmático do filme.

Diferenças entre Mangá e Filme

Embora o filme seja uma adaptação direta do mangá, ele teve que condensar mais de 2.000 páginas em duas horas. Isso resultou em cortes de arcos narrativos inteiros e simplificação de personagens secundários. Por exemplo, enquanto Akira é uma presença física e fundamental no mangá, no filme ele aparece apenas como uma memória ou influência. O foco maior no relacionamento entre Kaneda e Tetsuo deu ao filme um tom mais pessoal, enquanto o mangá explora temas mais amplos, como revoluções sociais e religiosas​

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Recepção e Influência

O impacto de Akira foi imenso. No Japão, o mangá vendeu milhões de cópias, enquanto o filme ajudou a introduzir o anime a audiências internacionais, especialmente no Ocidente, onde foi um dos responsáveis por popularizar a animação japonesa. Críticos elogiaram a obra como uma das melhores animações de todos os tempos, destacando seu visual, narrativa e trilha sonora.

Em termos de bilheteria, Akira foi bem-sucedido, mas seu verdadeiro legado reside na influência cultural. Ele inspirou diretores como James Cameron (Avatar) e os irmãos Wachowski (Matrix), além de ser referenciado em séries como Stranger Things e South Park. Na indústria de jogos, títulos como Cyberpunk 2077 e Final Fantasy VII também carregam elementos inspirados em Akira.

Aceitação e Polêmicas

Fãs do mangá e do filme geralmente concordam que ambas as obras têm méritos distintos. Enquanto o mangá é celebrado por sua profundidade e construção detalhada de mundo, o filme é considerado uma obra-prima de animação, mesmo com suas limitações narrativas. No entanto, alguns fãs lamentam que a adaptação tenha excluído partes importantes do material original.

Ao longo dos anos, discussões sobre uma adaptação live-action de Akira surgiram, mas projetos em Hollywood enfrentaram dificuldades criativas e orçamentárias. Essa possibilidade ainda divide opiniões entre fãs, que temem a perda da essência cultural da obra.

Esta obra pode ser encontrado em plataformas de streaming como Amazon Prime e Apple TV, enquanto o mangá foi republicado em vários idiomas, incluindo edições recentes pela Editora JBC no Brasil.

Akira não é apenas uma história; é um marco que moldou a forma como o anime e o mangá são vistos e apreciados globalmente. Ele permanece relevante, provocando discussões sobre tecnologia, poder e o futuro da humanidade. Com sua narrativa instigante e qualidade técnica incomparável, Akira continua sendo uma referência no universo da ficção científica, destacando a genialidade de Katsuhiro Otomo e a capacidade do anime de contar histórias complexas e atemporais.

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